Fonte:Valor Econômico
 
Fernando Travaglini, de São Paulo
  
Passado o pior momento da crise internacional, os bancos colocam novamente o pé no acelerador e começam a flexibilizar as condições de crédito para tentar para trazer de volta o consumidor, que continua retraído. As instituições financeiras apostam em ampliação dos prazos e queda das taxas de juros, como forma de aumentar o acesso dos clientes aos empréstimos.
 
Ontem o Bradesco anunciou o alongamento do crédito à habitação para 30 anos, acompanhado de queda dos juros. A intenção é ampliar a participação no segmento de famílias que ganham entre três e dez salários mínimos, dentro do Sistema Financeiro da Habitação (SFH).
 
“O país vive uma situação econômica que vai voltando ao normal, com previsibilidade econômica sem sobressaltos. É hora de ser mais agressivo e atender os consumidores dessa faixa renda”, disse Norberto Barbedo, vice-presidente do Bradesco.
 
O Banco do Brasil também divulgou corte das taxas de nove linhas e o aumento em R$ 13 bilhões nos limites de crédito de um terço de sua clientela pessoa física. A expectativa é de que entre R$ 2,5 bilhões a R$ 3 bilhões sejam escoados para o consumo ainda em 2009, ajudando a amenizar os efeitos da crise.
 
Outras instituições já haviam lançado campanhas com novas condições para os empréstimos das pessoas físicas. Na semana passada, Itaú Unibanco e Santander voltaram a ofertar financiamento de veículos em 72 meses, linha que havia sido encurtada para 60 meses desde o agravamento dos problemas na economia internacional, em meados de setembro.
 
Todas as mudanças são baseadas em uma visão menos pessimista das condições econômicas e a constatação de que a inadimplência, se ainda não melhorou, pelo menos começou a desacelerar. Ainda assim, o cenário exigi certa cautela, ressaltou Felix Cardamone, diretor-executivo da Aymoré, financeira do Santander.
 
O que ainda não mudou é o nível de exigência dos bancos, que continua elevado. Esse aperto nos critérios de concessão, que começou antes mesmo de a crise se agravar, é visto pelas instituições como o responsável pela melhora na qualidade do crédito das safras mais recentes. Os empréstimos concedidos em 2007 são apontados como os responsáveis pelos altos índices de atrasos das carteiras registrados desde o início do ano, especialmente para a compra de automóveis. É dessa época a proliferação das concessões sem entrada e com prazos de até 99 meses.
 
Com mais cautela, as instituições tentam agora ampliar sua participação nas classes de renda mais baixa. De acordo com o executivo do Bradesco, os juros para a compra de imóveis novos e usados de até R$ 120 mil, foi reduzido de 10% para 8,9% ao ano – equivalente a uma taxa mensal de 0,7% ao mês – mais a variação da TR. “É a menor taxa do mercado para imóveis nesta faixa”, disse Barbedo.
 
Segundo ele, com o programa do governo federal, Minha Casa, Minha Vida, as empresas do setor tendem a concentrar os lançamento na faixa de renda de três a dez salário mínimos. “Achamos que esse é o momento adequado de conquistar grande parcela dessa população”.
 
Esse segmento, de acordo com Barbedo, responde por cerca de 30% da carteira imobiliária para pessoas físicas do Bradesco, cujo saldo estava em R$ 2,23 bilhões em março deste ano. A intenção é atingir, já no início do próximo ano, 45% da carteira de mutuário final. “A expansão dessa faixa de renda vai ser muito maior do que qualquer outra”, completou.
 
Além da queda dos juros, a ampliação dos prazos máximos para 30 anos será determinante para avançar nesse nicho. Nas novas condições, um imóvel de R$ 85 mil, por exemplo, terá prestação ao redor de R$ 720 mensais, suficiente para que uma família com renda de R$ 2,3 mil, perto de cinco salários mínimos, financie a compra da unidade. Vale lembra que o prazo de 30 anos já era adotado, entre outros, por Santander e Caixa Econômica Federal, além de outras instituições, com a BM Sua Casa.

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